Nesta sexta-feira, em Paraty, a equipe Vento Sul, da UFSC, vem pelo mar, sob um céu ensolarado, se consagrar como campeã da terceira etapa do Desafio Solar Brasil 2010, repetindo o feito realizado na mesma cidade em 2009, primeira edição da competição. Com uma campanha excelente, obtiveram uma vitória incontestável alcançando o primeiro lugar em todas as provas e com boa diferença para o segundo colocado, em maioria: a menor diferença foi de 10’55” para o barco Mangue,  do LAFAE, segundo colocado na 5ª prova, e a maior diferença, 41’20”, também para o Mangue, na 4ª prova. O Vento Sul foi não apenas o vencedor da categoria catamarã como também o foi na classificação geral, superando até os monocascos, feito inédito na competição.

Dando novo fôlego ao evento enquanto competição, o Mangue chega já assumindo seu segundo lugar no pódio nesta que foi a mais competitiva de todas as etapas do Desafio até agora. O piloto Leonardo Gorne, que  competia com o Arpoador, não decepcionou a equipe, esperançosa pela vantagem da experiência. A equipe Búzios, que não conseguiu colocações muito boas nas primeiras provas, se superou e entrou na disputa, subindo ao pódio na terceira colocação, algo novo para os alunos do curso TecNaval da UFRJ.

Não se pode esquecer, contudo, a equipe Solaris, o sétimo lugar desta etapa mas a equipe campeã das etapas de Charitas e de Cabo Frio do DSB 2010. Foi segundo colocado ainda na primeira prova desta etapa, o que prova o desenvolvimento das demais equipes em vez de um decréscimo desta. As diferenças de tempo muito pequenas entre as equipes na maioria das provas vem corroborar este argumento, mostrando que as competições tendem a ficar mais interessantes a cada etapa. Além disso, a equipe Solaris foi prejudicada pela necessidade de troca de motor, impedindo sua participação na segunda prova. Ainda assim, na classificação geral, esteve apenas 15 minutos atrás do sexto colocado. Considerando-se o acréscimo de tempo por DNS e DNF, é perceptível que a equipe tinha grandes chances de um melhor resultado.

O Carcará, campeão dos monocascos, retorna a Paraty depois da ausência nas duas primeiras etapas de 2010 e arrebata a primeira colocação, como o Vento Sul, e também com boas diferenças de tempo em relação aos rivais. O Copacabana, desta vez, nas mãos dos alunos do Instituto Politécnico da UFRJ em Cabo Frio, também não fez feio, apesar de todos os contratempos, atingindo um segundo lugar talvez inesperado para a equipe, que acabou se mostrando bastante competente e esforçada. O terceiro colocado, o Ubá Suy Aram, da UNIVALI, não conseguiu completar todas as provas, o que o prejudicou na classificação geral, mas ainda assim, manteve o padrão dos monocascos, com tempos melhores que dos catamarãs (à exceção do Vento Sul) e não muito distantes dos outros barcos de sua categoria. Caracteriza-se, assim, uma boa primeira participação, a partir da qual se espera a mesma evolução ocorrida entre os competidores que vem desde o DSB 2009.

Com isso, o barco HL1, da Escola Técnica Henrique Lage, quinto colocado nesta etapa e com pouca diferença para o quarto, permanece como a única equipe a participar de todas as ediçoes da competição com o mesmo motor, o que se caracteriza como uma grande ponto positivo para a equipe, dada as sérias dificuldades financeiras pela que passa para adquirir seus equipamentos. Isto apenas corrobora os méritos dos alunos e professores da ETEHL, diante de um bom resultado.

O barco VDC1, do Instituto Náutico de Paraty, anfitrião desta etapa e último colocado da mesma, também tem de que se orgulhar: junto ao primeiro colocado Vento Sul, foi um dos únicos catamarãs a participar e concluir todas as provas, além dos dois primeiros colocados da categoria monocasco, Carcará e Copacabana. Portanto, se não teve o barco mais rápido, teve um dos mais tecnicamente estáveis. Inclusive, terminou apenas uma prova em último lugar efetivamente.

Era justamente este o intento também da equipe Arpoador, segundo Rafael Mainoth. De modo geral, foram bem sucedidos, levando em conta que ficaram de fora apenas da 5ª prova e concluíram todas as demais, conseguindo até boas posições, que lhes valeram quase um lugar no pódio, mas já garantindo um bom 4º lugar.

Outra equipe bastante prejudicada pela não conclusão de provas foi a Albatroz, que levou DNF em todo o primeiro dia de competição. O terceiro lugar em duas das provas em que competiu comprova seu bom preparo, além dos ótimos resultados nas outras duas etapas de 2010. Em Paraty, porém, ficou para o 6º lugar, no que certamente colaborou o pocuo tempo hábil para trabalhar no barco devido às responsabilidades dos alunos também com o Copacabana.

Mas em se tratando de problemas técnicos, nenhuma equipe foi mais prejudicada que a Cajaíba, que não conseguiu participar nem do prólogo, nem das duas primeiras provas, do primeiro dia. Como precisavam de uma bateria, não havia nada que se pudesse fazer enquanto o equipamento não chegasse a Paraty, apesar da inabalável perseverança de Ocione Machado, líder, piloto principal e azarado da equipe, segundo os colegas. Vale lembrar que a bateria chegou na mesma noite em que Ocione precisou retornar ao Rio de Janeiro, fato que alguns certamente preferem afirmar ser algo além de simples coincidência… Quando finalmente conseguiram competir, alcançaram até boas colocações, dentre elas, um terceiro lugar.

O pódio acaba bastante variado quando se percebe os resultados individuais das provas, com várias equipes diferentes merecendo seu destaque em dado momento. Isto é já, por sí só, uma novidade para a história da competição. Outras novidades, já no campo da organização e planejamento do evento, tivemos novas exigências para os barcos por parte do Comitê Técnico, que se mostrou bastante atuante. É também mérito do Comitê a criação de resoluções propriamente idealizadas para tornar a competição mais interessante, como a largada para dentro do canal de Paraty, obrigando as embarcações a realizar manobras mais fechadas e mais lentas, gerando ainda belas imagens dos barcos mais próximos entre si. Novamente a cerca dos procedimentos de largada, tivemos a inversão da ordem pré-definida pela chegada do prólogo; o último colocado seria o primeiro a largar, e assim sucessivamente. Houve também a empolgante largada dos monocascos, que passaram a iniciar a prova alinhados, todos de uma só vez.

Assim encerrou-se mais um Desafio Solar Brasil, coroado ainda neste último dia pelo show da cantora Clarice Magalhães, uma das melhores novidades da música carioca. Será a próxima novidade do DSB descobrir se o pessoal do barco Vento Sul será, assim como bom competidor em 2009 e 2010 em Paraty, um bom anfitrião na primeira etapa do Desafio Solar Brasil 2011, a ocorrer em Santa Catarina, no mês de fevereiro.

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