Na terceira etapa do Desafio Solar Brasil 2010, que volta a Paraty, onde começou em 2009, o tempo nublado remete exatamente aquela primeira edição da competição. Contudo, há uma diferença fundamental: após quatro competições, as equipes estão melhor preparadas e amadurecidas.

Paulo Lucas, da equipe da UFSC, que não participou das duas primeiras etapas deste ano, reconhece este fator, apesar de atingir a primeira colocação no prólogo. Sabe que as demais equipes evoluíram bastante. Entretanto, o Vento Sul também não ficou estagnado. Ainda que não competindo, passou por algumas alterações para este Desafio: O piloto foi deslocado do centro do barco para o cockpit em um dos cascos, o sistema elétrico de 12 volts passou a 24, o motor foi trocado, utilizando agora a marca Agni. Mas a equipe também não ficou fora de competição. Como o sucesso na edição 2009 do Desafio trouxe uma boa repercussão na UFSC, acabou rendendo frutos e contribuindo para outros projetos relacionados à energia solar e também vinculados à produção naval. Um deles foi o Guarapuvu, monocasco com o qual a equipe participou este ano do Frisian Solar Challenge, na Holanda. Apesar das dificuldades, o Guarapuvu atingiu a 19a posição, colocando-se assim como melhor equipe brasileira e melhor equipe iniciante.

Guarapuvu é também o nome da árvore símbolo de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, e com a qual os índios fazem suas canoas. Assim, a UFSC pretendeu homenagear as raízes indígenas do estado, e não foram os únicos: a UNIVALI, outra equipe de Santa Catarina, batizou seu barco como Ubá Suy Aram, “Canoa do Sol” em tupi-guarani, nome escolhido em homenagem ao Museu da Canoa, situado na cidade histórica de São Francisco do Sul, onde se encontra exposto o primeiro barco do navegador brasileiro Amyr Klink.

Um diferencial da UNIVALI é o curso de tecnologia em construção naval, de nível superior, ministrado desde 2003 e reconhecido pelo MEC em fins de 2008. Segundo Arthur Ennes, engenheiro naval e professor da UNIVALI, todos o barco foi realizado inteiramente pela universidade em todos os aspectos, desde o projeto, passando pela construção até a operação, por alunos, funcionários e professores, que compõem a equipe, cujo responsável é o pelo professor Barddal, coordenador do curso. A UNIVALI, “uma fundação privada de direito público”, ainda segundo o professor Ennes, oferece vários cursos na área marítima, vinculados ao Centro Tecnológico da Terra e do Mar (CTTMAR), cujo nome já explicita sua busca pela interdisciplinariedade. A equipe aposta em seu barco feito de compósitos, que deve garantir um baixo peso e um alto rendimento; de fato, boa parte do casco permanece acima da linha d’água e assim eles chegaram em segundo entre os monocascos ao fim do prólogo.

Também o Cajaíba procurou inovar no projeto. Ocione Machado, piloto da equipe, explica que trouxe a Paraty um barco de bancada, com testes realizados em laboratório para a bateria de lítio, um banco de resistência variável em lugar do motor, dentre outras modificações planejadas. Depois, a equipe pretendia realizar testes práticos. Contudo, durante uma exposição do barco no Hangar do campus Fundão da UFRJ, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), ocorrida de 18 a 24 de outubro ocorreu um acidente. No dia 20, há exatas duas semanas, o barco ficou à deriva e como não havia barco de apoio por perto, só depois de algum tempo o Cajaíba foi rebocado pelos bombeiros, no mar. Esta operação, porém, foi um pouco “enérgica demais”, nas palavras de Ocione; parte da proa foi destruída durante o reboque. Além de reconstituir a proa, foi necessário refazer a parte elétrica e trocar o MPPT. Este foi apenas um dos azares da equipe que já viraram chacota entre as demais e para eles próprios. Já em Paraty, o Cajaíba não largou no prólogo por problemas com controlador de velocidade e bateria. Como não houve ainda como substituir os equipamentos defeituosos, a equipe ainda não conseguiu entrar na competição, mas não desistiram ainda nem desistirão.

Em contraponto, a bem sucedida equipe Solaris, do IFF, retorna esperando repetir os feitos das duas últimas etapas. A equipe vem desde então colhendo frutos da vitória através do reconhecimento da instituição, recebendo os parabéns da própria reitora. Apostando no que já vinha dando certo, não foram realizadas muitas modificações no barco, apenas trabalhos de manutenção. Como afirma o competidor Celso de Assis Lima, a apreensão que há é em relação ao motor Torqeedo, que diversas outras equipes deixaram de usar, trocando por motores menos potentes, porém mais confiáveis. Apesar disso, o segundo lugar no prólogo demonstra que a equipe Solaris continua no páreo.

A equipe Búzios é uma das que tenta entrar no páreo: desde que herdaram o barco da equipe Búzios do ano passado, atual Arpoador, já realizaram algumas alterações, como a mudança de casco do cockpit, que passou para o lado esquerdo, e mudanças no sistema elétrico, de direção e de MPPT. Apenas o motor permanece o mesmo Phantom, mas será trocado por um superior, o que o piloto Diego Pereira de Andrade considera o fator fundamental e que pode fazer a diferença. Apesar dos dois barcos, Búzios e Arpoador se uniram para esta etapa e agora integram a Equipe Polo Náutico. Para o Arpoador, a equipe preza pela leveza de materiais e simplicidade de sistemas visando a prevenção contra possíveis problemas acarretados por sistemas mais complexos, tornando o barco menos vulnerável. trocaram também de motor, que tinha resistência muito grande, e rearranjaram o painel de controle. Com um prólogo disputado, Búzios ficou em sétimo no prólogo e Arpoador, em sexto.

Já o Albatroz procura permanecer na disputa, reprisando os bons resultados anteriores. A maiores alterações feitas no barco foram para a etapa de Cabo Frio, como alterações no hélice, no ponto do motor, no leme para evitar arraste, troca do controlador de velocidade. Este último foi substituído por um “Speed Controller”, próprio para aeromodelismo. Um engenheiro elétrico montou um especialmente para a equipe Albatroz. Para a etapa de Paraty, a equipe não teve muito tempo hábil para se concentrar no Albatroz, pois receberam a incumbência de preparar também o Copacabana, monocasco do Polo Náutico. Após insistentes pedidos dos alunos do Instituto Politécnico, o professor Fernando Amorim aceitou ceder o barco, que fora deixado em Cabo Frio. Assim, a equipe teve cerca de um mês para realizar a montagem do barco. Douglas, que acompanhou a aprendizagem dos alunos, ficou surpreendido com o exemplo de autosuperação dos alunos, que quase não conseguiram concluir o Copacabana, que ficou pronto em Paraty. Douglas exalta também o apoio do pessoal das equipes de Santa Catarina, que ajudaram bastante os alunos. Assim, a equipe percebe a dificuldade que será para o barco Albatroz manter boas colocações, admitindo a evolução das outras equipes, mas nada que seja impossível, visto que alcançaram um quarto lugar no prólogo.

O HL1 é outro barco que busca entrar na disputa. Teve uma grande evolução em relação à competição de 2009, quando ficou com a última colocação. Segundo Sérgio Lima, coordenador do curso de máquinas navais da Escola Técnica Henrique Lage, o maior problema do barco era o peso, com suas estruturas em aço, além de equilíbrio instável e do controle de gasto de energia, que era feito através de cálculos e medições manuais. Agora, conseguiram adquirir um controlador de carga e pretendem conseguir um controlador de velocidade eletrônico e um MPPT. O que impede essas aquisições é a dificuldade de obtenção de recursos financeiros. Assim, os participantes chegam até a contribuir com dinheiro do próprio bolso. Mas é ainda com o mesmo motor de 2009, agora em sua quarta competição, que eles conseguiram um quinto lugar no prólogo com tempo próximo dos primeiros colocados.

Em se tratando de primeira colocação, o Carcará parece prometer uma boa campanha, já se destacando como o primeiro monocasco do prólogo. Participante da edição 2009, retorna na terceira etapa da edição 2010 mostrando-se competitivo como no ano anterior.

O barco Mangue, do LAFAE da UFRJ em parceria com a RECRIAR, que patrocinou a equipe, participa pela primeira vez, mas já surpreende com uma terceira posição no prólogo. Um bom presságio apesar das dificuldades em relação ao viés náutico do projeto, haja visto que o LAFAE é um laboratório pertencente ao Departamento de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da UFRJ. Eles contam com um ex-piloto da equipe Arpoador, Leonardo Gorne, apostando em sua experiência prévia em pilotar barcos solares.

Por fim, o barco VDC1, representante do anfitrião do evento, o Instituto Náutico de Paraty. Terminou o prólogo no oitavo e último lugar, apesar do bom dendimento que vinha alcançando em edições anteriores do DSB. Não se deve esquecer, porém, da possibilidade de estratégia de economia energética, numa tentativa de administrar a energia, pensando nos dias de competição que ainda estão por vir.

Mais uma vez, enntão, o Instituto recebe o DSB e os seus competidores de portas abertas, provendo Organizaçãodo evento, Comitê técnico e equipes d tudo quanto necessário. O Instituto só não pode evitar a necessidade de os competidores entrarem em contato com uma água turva e poluída para por os barcos na competição, já que não há tratamento do esgoto despejado, segundo Allan Reid. Pelo menos ele e os alunos do Instituto já aprenderam a conviver com essa realidade, afirma.

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