O dia de hoje amanheceu corroborando o que o fim de tarde de ontem já anunciava: chuva e vento fortes durante todo o dia. Por conta disto, houve uma reunião do Comitê Técnico por volta das 10 horas para definir o que seria feito: com o céu encoberto, algumas equipes não tiveram tempo suficiente para ter suas baterias recarregadas e, portanto, teriam dificuldades para completar a prova. Nas palavras de Fernando Amorim, largar com a bateria pouco carregada seria “a crônica da morte anunciada”. Para Fred Hoffman, é preciso haver um “feedback” do Comitê com os competidores, é preciso ouví-los, pois eles poderiam dizer melhor do que ninguém se é possível realizar a competição ou não. Assim, houve impasse entre adiar a prova para o sol recarregar as baterias ou não, afinal, como sinalizou outro membro do comitê, Bernardo, “se adiar muito, as equipes que chegaram cedo para descobrir os barcos vão se sentir prejudicadas,  além daquelas que economizaram energia nas provas de ontem, já sabendo que o tempo estaria nublado hoje”. Enfim, decidiu-se por realizar outra reunião para dali a uma hora, para reavaliar a situação. A largada foi então marcada para as 11:30.

A largada se deu sem problema algum. Cada barco saiu no tempo estimado por sua janela de 30 segundos. Apenas o Cajaíba, reconhecendo de imediato sua impossibilidade de completar a prova por falta de bateria, retornou em poucos minutos. Arpoador e Solaris, muito próximos entre si, lideravam a prova.

Contudo, com cerca de 30 a 40 minutos de prova decorrida, subitamente vento e chuva apertaram muito, decorrendo destes o frio. De acordo com as informações que nos chegavam pela equipe do mar, o Copacabana foi o primeiro barco efetivamente prejudicado pelo mau tempo: navegando a uma velocidade de 5 nós, o barco virou, devido às oscilações da água produzidas pelos fortes ventos. As equipes de apoio logo chegaram e conseguiram desvirar o barco. Em seguida, começaram a rebocá-lo de volta. O GPS do barco se perdeu. A prova foi então oficialmente cancelada.

Novas informações sobre os barcos na água não tardaram a chegar: barcos de apoio se mobilizando para rebocar os demais, Água Viva rebocando HL1 em uma bela atitude solidária, Peixe Sol perdido e depois localizado pela equipe de apoio, todos os barcos se redirecionando de volta para a largada.

Arpoador, que até o momento era o líder da prova, foi o primeiro a chegar, navegando por conta própria. Aos poucos, todos os barcos foram voltando rebocados. O Copacabana foi o último a retornar, num espaço de tempo bem maior em relação aos outros.

Segundo Diego Pereira, piloto do Búzios, mesmo operando em potência máxima, o barco não conseguia superar a força do vento, além da visibilidade ser prejudicada: “o vento e a chuva me impediam de abrir os olhos”, afirmou. Raphael Mainoth, do Arpoador, acrescenta que não se podia enxergar curtas distâncias à frente, e por isso temia colidir com outra embarcação ou se perder no trajeto. A piloto Mellina, do Albatroz, também não conseguia fazer seu barco avançar, quando se viu entre um veleiro e o píer. Foi então necessário fazer a manobra de retorno. Enquanto tinha início o temporal, o Albatroz conseguia emparelhar com o Búzios. Allan Tavares, do Peixe Galo, diz que não teve grandes problemas: “pra mim, foi tranquilo”. Allan já possui experiência com velas. Sua maior preocupação teria sido a situação dos outros polotos.

Rafael Sardinha, o piloto do Copacabana, foi o único a ter o barco virado e cair no mar. Segundo Sardinha, o Copacabana não foi projetado para navegar com vento e oscilação, é uma embarcação instável. Contudo, ao atravessar Icaraí em direção a Jurujuba, ele entrou na região onde esses fatores incidiam mais diretamente e com mais força. Ele reforça que o barco é sim preparado para este tipo de incidente, tanto que não chegou a afundar, mas não houve uma preocupação maior justamente pelo Copacabana ser projetado para navegar em águas calmas. “Você não espera que isso vá acontecer, que o tempo vá estar ruim… Então, o barco não está preparado, por exemplo, para ser desvirado para que eu possa entrar de novo e sair navegando. Alguns equipamentos podem não resistir…”. Ainda não se sabe ao certo o quanto o barco foi danificado, que equipamentos foram avariados. Se sabe apenas do GPS que se perdeu no mar, pois logo após o uso, ficou um tempo no colo do piloto, o que ele considera um prendizado: “deveria haver um ponto de amarração no barco para não perder nenhum material”. Sardinha ainda acrescenta, demonstrando preocupação semelhante à do piloto do Peixe Galo, que “esses testes de natação não são à toa. O piloto tem que estar preparado até psicologicamente para este tipo de situação. Senão, pode bater o desespero”. Quando perguntado sobre os procedimentos que devem ser realizados em tal situação, ele diz que o melhor a fazer é sentar-se sobre o casco virado e sinalizar para as outras embarcações, pedir ajuda. Fala ainda da importância de se estar com os equipamentos de segurança em ordem, como o colete e o dead man ligado a este. Sobre o que fazer em relação ao barco, ele diz: “não adianta entrar debaixo do barco e tentar desvirar, porque não vai conseguir. É preciso levantar um dos bordos do barco por fora e deixar a força do vento desvirá-lo. Um procedimento simples, mas que foi dificultado pelas condições de tempo ruins”. Mesmo durante o reboque, o Copacabana continuava virando, o que dificultava a operação e retardou o seu retorno. Foi então que uma das placas solares se soltou, mas pode ser recuperada.

Agora, segundo Denis Scaringi, da Albatroz, é necessário retirar a parte elétrica e lavar, para evitar a oxidação, retirar toda a água do barco, secar tudo e ainda colar uma parte da proa que abriu fissuras com a violência das águas, para então remontar o barco para as próximas provas.

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